terça-feira, 13 de julho de 2010

5ª Jornada do Distrital Individual Absoluto

Decorreu ontem mais uma jornada do Distrital Absoluto, e o meu adversário desta vez foi Fernando Carvalho, atleta do GX Porto.

5ªJornada-Fernando Carvalho 1549(17) 0-1 Francisco Assunção 1467(22)


O meu adversário optou por uma variante pouco comum no jogo de peão de dama, teoricamente equilibrada. Contudo a partir de 18.Ne4 as pretas parecem ter alguma iniciativa, dado que vão ganhar um peão do roque, posicionando bem um cavalo, em troca do frágil peão de d5. 
O jogo prosseguiu até que o meu adversário jogou 20. Bc4?! É óbvio que aqui vi que podia tomar a torre de f1 mas pensei logo nos múltiplos ataques que podiam sair do lado das brancas. Segundo a análise que fizemos posteriormente, Após 20....Nxf1 21.Nxg5! levaria a um ataque muito forte que era muito complicado de controlar. Eu imaginei logo esse ataque, e preferi ver-me livre daquele cavalo de f3. De seguida acabei por errar. Quando o meu adversário joga 21.Rb5 deveria ter jogado imediatamente 21.Qc6 atacando o bispo e posteriormente ganhando uma peça. A partir daí o jogo prosseguiu praticamente empatado. Até que a certa altura o meu adversário joga o lance 25. Bd1. Aqui rapidamente percebi que ele tinha deixado encurralada a torre de f1. Mas surpreendentemente haveria forma de salvar esta torre com 26.Bh5! atacando a dama, oferecendo a troca e abrindo espaço para a torre fugir. A partir daí o resto foi história, e nunca mais perdi a vantagem que tinha.

Com esta vitória saltei para o grupo dos 13º com 2.5 pontos em 5 possíveis. Na próxima e penúltima jornada defrontarei o jovem André Mateus de brancas, numa possível re-edição do jogo que tivemos no distrital de semi-rápidas por equipas. Espero que o resultado seja o mesmo :P.

sábado, 10 de julho de 2010

4ª Jornada do Distrital Individual Absoluto

Decorreu ontem a 4ª Jornada da Final do Distrital Individual no Museu do Vinho do Porto.

Desta vez coube-me defrontar Miguel Ferreira, o Campeão Distrital de Sub-18 e recém 3º Classificado no Distrital de Rápidas.


4ª Jornada-Francisco Assunção 1467 (22) 1/2-1/2 Miguel Ferreira 1831 (9)

Previa-se, claro está, um jogo complicado, contra um adversário bem mais experiente. Na abertura escolhi jogar a inglesa (1.c4), mas que rapidamente foi transposta para Gambito de Dama recusado variante Semi-Eslava.





Após o ligeiro erro 14.Qxb6? perdi um peão na abertura. Contudo, aí olhei para o jogo das pretas e previ que todo o jogo das pretas iria passar por aquele cavalo de c4, dado que as outras peças se encontravam "empancadas" pelo bispo mau de c8. Assim sacrifiquei a qualidade. Contudo, nesta altura a minha desvantagem já rondava os -1.5 de acordo com o Chessmaster XI o que mostra que esta foi uma manobra arriscada. Algo curioso foi que esta desvantagem manteve-se inalterada até perto do lance 30, o que mostra que de facto o jogo não estava fácil para as pretas. Até que chegados ao lance 42 chegou o momento do jogo. As brancas parecem perdidas mas aqui joguei 42.Rf7+. Á primeira vista parece um xeque normal mas se virmos bem, o rei tem poucas hipóteses de fuga ao perpétuo ou à perda de material!
Legenda: Ponto negro: Quadrado para o qual o rei não se pode mover
Ponto verde: Quadrado em que o rei se salva de perpétuo sem perda material importante
Ponto amarelo: Quadrado em que o rei pode levar perpétuo.
Ponto vermelho: Quadrado que implica uma grande perda material.

O plano das pretas devia assim passar por chegar à casa segura (e6) sem passar por casas com pontos vermelhos. As pretas preferiram escolher 43.Kf5? e perderam a torre. O ideal seria o itinerário f4-e5-d5-e6. Aqui a minha desvantagem passou de -4.5 para aproximadamente 0. 
A partir daqui, e com xeques bem calculados, consegui aproveitar a frágil estrutura de peões que o meu adversário tinha comi todos os seus peões. Chegámos assim a um final curioso de Torre e Cavalo vs Torre. Teoricamente este final é um empate. Contudo já foi visto em alguns encontros, GM's conhecidos a tentarem vencer neste final. No entanto, tal só acontece com algum erro grave por parte de quem defende e no caso de que quem defende estar com o seu rei encostado a um lado do tabuleiro. Vejam por exemplo este jogo em que Kasparov venceu neste final: Judit Polgar vs Garry Kasparov, 1996 0-1
Naquela altura já me encontrava um pouco fatigado e como ficaria satisfeito com o empate decidi oferecê-lo ao meu adversário. Para espanto meu, mas explicado pelo facto do meu adversário estar extremamente frustrado com o seu resultado, o meu adversário recusou. Por uma razão até tem uma certa lógica: eu no relógio tinha pouco menos de 10 minutos, enquanto que o meu adversário usufruía de quase uma hora. Estranhamente, tive que ser eu a forçar empate com a troca de torres. Deste jogo resultou assim um resultado bastante positivo em que mais uma vez fui premiado por um sacrifício de qualidade que até teve a sua lógica
A classificação é liderada por um trio formado por 3 jogadores com 3.5 pontos em 4 possíveis (Jorge Ferreira, Jorge Coelho e Rui Trindade). Já eu estou contido no grupo dos 18º com 1.5 pontos.

Na próxima jornada defrontarei de pretas Fernando Carvalho.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

2ª e 3ª Jornada do Distrital Individual

O Distrital Individual prosseguiu esta semana com mais duas jornadas (2ª e 4ª feira). Na 2ª Jornada, coube-me defrontar Nuno Messeder Ferreira.
Foi um jogo extremamente disputado com uma ligeira predominancia das pretas ao nível da dominância em termos materiais e espaciais. Aqui fica o jogo para verem.
2ª Jornada - Francisco Assunção 1467 (22) 0-1 Nuno Messeder 1631 (13)

Na parte final nota-se bem que as brancas falharam algo. Com um sacrifício de um peão consegui dobrar as torres na coluna c e colocar forte pressão na sétima fila, atacando a dama. No entanto o meu adversário saiu-se com um lance curioso que tem um objectivo trocar peças: 29. ...Re1+?! Aqui respondi com 30. Kf2! o que é um grande lance pois ataca torre enquanto a dama está a ser atacada. Por excesso de confiança no meu ataque, e por achar que a dama estava bem em b3, decidi jogar, de forma precipitada 31.Kxg3??. Aqui larguei a pressão que estava a colocar na torre de e1. Se mantivesse a pressão com 31. Qxg3! ganharia a torre porque ambas rainha e torre estão atacadas. O excesso de confiança foi tal que eu achei que o meu rei estava seguro em h4 só passivel de resposta g5+ e Kh5. Naquele momento nem sequer me passou pela cabeça o mate. Perdi de forma bastante inglória, contudo o meu adversário pareceu mais regular.


Depois de ter ficado um pouco intrigado pela forma como perdi nos últimos dois jogos, parecia-me decidido para mudar o rumo dos acontecimentos.

3ª Jornada - Hugo Soares 1554 (26) 0-1 Francisco Assunção 1467 (22)



Defrontei o meu já mais que conhecido colega de equipa Hugo Soares. Como já previa que ele jogaria d4, por experiência própria, decidi estudar uma abertura que o meu adversário não dominasse tão bem a fim de apanhá-lo desprevenido. A minha escolha foi o Contra-Gambito de Albin, uma variante bastante ousada que tem como objectivo uma vantagem no desenvolvimento em contra-partida da perda de um peão. Foi o que aconteceu neste jogo em que a minha verdadeira vantagem iniciou-se quando recuperei o peão perdido. No entanto, era necessário consolidar a vantagem. 22... b5!? foi um lance surpreendente que tem como objectivo ganhar um peão, uma vez que as pretas não podem avançar nem capturar o peão dado que Ba2 encurrala a torre de b1. No entanto o meu adversário respondeu com um lance que na altura não vi mas que até nem me importei muito por não ter visto: 23. Bc6. Não demorei muito a nesse momento sacrificar a qualidade, em troca de dois peões passados, uma compensação bastante satisfatória. Para as brancas, nesta posição pedia-se 25 Rxc4! as brancas também sacrificam a qualidade e o jogo parece empatado. O jogo prosseguiu e cheguei a um final vantajoso de torre contra dois bispos. Os meus bispos bem coordenados, rapidamente teceram uma teia que limitou em muito os movimentos da torre adversária. Assim ganhei os peões do lado da dama e comecei a subir o meu peão passado de a. Este peão, ajudado pelos dois bispos, rapidamente, e até de forma surpreendente para mim na altura, conseguiu ser promovido ficando num final totalmente ganho de dama contra torre. Foi um jogo duro em que fui premiado por alguma ousadia tanto na escolha da abertura, como do sacrifício de qualidade em que consegui tirar vantagem.

Já com 1 ponto amealhado parto para a 4ª Jornada para defrontar Miguel Ferreira 1831 (9) de brancas.

domingo, 4 de julho de 2010

Distrital de Rápidas Colectivo e Individual

Decorreu no passado sábado, em Vila das Aves, o Distrital de Rápidas colectivo e individual. De manhã, na etapa colectiva, a minha equipa assim se constituiu: AC Alfenense A: Francisco Assunção. Hugo Soares, António Bastos Pintor e José Pintor.

Os nossos resultados foram os seguintes.

AC Alfenense B 0-4 AC Alfenense A
AC Alfenense A 1-3 GD Dias Ferreira A
AC Alfenense A 2.5-1.5 AP Vila d'Este B
AX Gaia 3-1 AC Alfenense A
AC Alfenense A 2.5-1.5 GD Dias Ferreira B
AP Vila d'Este A 0-4 AC Alfenense A
NX Santo Tirso 3-1 AC Alfenense A

A classificação final foi a seguinte.
Acabámos num 5º lugar, um pouco abaixo daquilo que seríamos capazes. Contudo, o nosso único mau resultado foi com o NX Santo Tirso, para o qual contribuiu um erro de cálculo meu no meu jogo com o Hugo Moreira. Teríamos assim a capacidade de chegar ao pódio, dado que até conseguimos vencer a equipa que se colocou no 3º lugar.

Já na parte individual, à tarde, os participantes foram colocados em séries, de acordo com o Elo dos jogadores. Os participantes jogaram assim num sistema de todos contra todos dentro da sua série.

Assim os jogos foram os seguintes.

Júlio Silva 0-1 Francisco Assunção
Francisco Assunção 1-0 Nuno Seabra
Paulo Topa 0-1 Francisco Assunção
Francisco Assunção 1-0 Irina Oliveira
Rui Pedro Gonçalves 0-1 Francisco Assunção
Francisco Assunção 1-0 Carlos Pereira

Nesta série, o destaque vai para a vitória que tive frente a Carlos Pereira, um adversário com 1988 de Elo Fide. No entanto foi uma vitória razoavelmente fácil, o que mostra que esta não é de facto a especialidade deste jogador. Já a vitória frente a Nuno Seabra revelou-se extremamente complicada. A meio do jogo resolvi trocar a minha dama por duas torres adversárias. No entanto acabei por perder uma das minhas torres e já com cerca de um minuto de ambos, tinha uma torre e 2 peões contra uma dama e um peão do meu adversário. Por sorte, o meu adversário colocou o rei alinhado com a dama oferecendo-a em troca da minha torre. Como já tinha um peão perto da promoção, acabei por ganhar facilmente o final. Pelo meio ainda venci Paulo Topa, elevando o meu "score" em encontros realizados para 3-1, o que já me dá uma bela margem de manobra. No entanto, o meu adversário mostrou-se resignado dizendo que a continuar assim o "score" passaria para cerca de 1000-1. Eu agradeci o elogio, mas este "score" só deverá ser aumentado para a próxima época.

Como é fácil de perceber, qualifiquei-me em 1º da minha série. Assim fui disputar a série dos primeiros para decidir os 8 primeiros lugares, onde tive os seguintes jogos.

Francisco Assunção 1-0 Pedro Miguel Mendes
Henish Balu 1-0 Francisco Assunção
Francisco Assunção 0-1 Simão Pintor
Tiago Manuel Neves 0-1 Francisco Assunção
Francisco Assunção 0-1 Miguel Ferreira 
Francisco Assunção 0-1 Fernando Nora
Alexander Cardoso 0-1 Francisco Assunção

Nestas partidas, numa série com bastantes jogadores mais cotados do que eu, consegui um bom 5º lugar em 54 jogadores presentes, consagrando-me assim Vice-Vice-Vice-Vice Campeão Distrital de Rápidas! Podem ver aqui a classificação completa. Algo curioso também foi que venci o primeiro, o do meio e o último jogo que disputei. O destaque vai para a minha vitória frente a Alexander Cardoso, na qual um peão "mal comido" pelo meu adversário originou a "morte" de um dos cavalos do meu adversário. A partir daí resisti aos ataques severos do meu adversário ao meu roque, comuns na siciliana de dragão e parti para um final ganho de torre e peões contra bispo e peões com dois peões passados pretos. Até que o meu adversário perdeu por tempo. Mais cedo, no jogo frente a Simão Pintor, falhei uma oferta de um cavalo do meu adversário.
Em vez de 7. a3? nesta posição pedia-se 7.Qa4+! e as pretas não têm hipótese de salvar o cavalo de b4. Como falhei isto, o jogo manteve-se equilibrado, e num final com um peão a menos acabei por desistir por ver o meu tempo a acabar, e a minha posição perdida.

Na classificação geral, destaque para o vencedor Fernando Nora, seguido de Simão Pintor e Miguel Ferreira, todos eles com Elos superiores a 1800. Com pena minha, não houve prémio para o 5º classificado o que me causou um pequeno "amargo de boca". Mesmo assim obtive uma excelente performance para a curta experiência que ainda tenho.

1ª Jornada da Final do Distrital Absoluto

Arrancou na sexta-feira a Final do Distrital Absoluto a decorrer no Museu do Vinho do Porto. Após alguns minutos de espera, tomamos conhecimento do emparceiramento para a primeira ronda para os 30 jogadores participantes.

Fernando Nora 1892 (7) 1-0 Francisco Assunção 1467 (22)
Neste jogo, o meu adversário usou a abertura inglesa, à qual eu respondi com a variante de dragão invertida. Assim para alguém que estivesse reconhecida com os planos base destas aberturas, parecia que eu estava a jogar de brancas contra uma siciliana do meu adversário. Aqui fica o jogo para verem.


Neste jogo, na fase inicial, preocupei-me em travar alguma iniciativa que houve por parte das brancas, correspondendo com um sólido roque do lado da dama. Pelo meio tive tempo para subir os meus peões e encontrei uma chance de ataque. Contudo antes de consumar o ataque, tive o brio de jogar um lance que tem tanto de retrógrado como de eficaz. 26...Na8! bloqueia completamente os ataques das brancas, e permite à dama partir para o ataque. Caso prosseguisse com 26...Bh3? seguir-se-ia 27. Na6+! bxa6 Qxc7 e penso que daria em perpétuo. O jogo prosseguiu segundo o meu plano e as brancas foram-se defendendo bem. Até que Fernando Nora cometeu um enorme erro ao jogar 33.f3? seguiu-se 33...Rh2+ 34. Ke3?? Aqui as brancas com dois erros consecutivos deitariam tudo a perder, e nesta posição não consegui vislumbrar que as brancas, já em apuros de tempo, me ofereceram um mate em 2 que seria brilhante.

Aqui as pretas deveriam jogar 34...Qf4+!! um sacrifício de dama impressionante que levava a 35. gxf4 gxf4#/exf4#. Aqui se vê que f3 foi um grande erro das brancas porque, ou haveria mate para as pretas, ou se perderia esse peão com um ataque muito forte. É importante dizer também que este erro foi motivado pelos poucos minutos que as brancas já tinham no relógio. O jogo continuou e perda do domínio da coluna h significou uma derrota rápida. 

Acabou por ser uma derrota bastante amarga por questões óbvias. Contudo, por essa hora, já nos deveríamos ter aproximado da meia-noite e por isso seria natural que os neurónios já não trabalhassem muito bem.

Espero recuperar já na segunda-feira, onde irei defrontrar Nuno Messeder Ferreira, desta vez de brancas.

domingo, 27 de junho de 2010

Distrital de Semi-Rápidas Colectivo

Como disse ontem, hoje decorreram os distritais de semi-rápidas na variante colectiva, mais uma vez em Gaia.

A minha equipa foi constituída da seguinte forma: AC Alfenense A: José Pintor, António Abranches Pintor, Francisco Assunção e António Bastos Pintor.

Segundo a ordenação feita pelo elo médio das equipas, nós éramos à partida os 7º do ranking inicial, num total de 16 equipas. Os jogos que tivemos foram os seguintes. Irei analisar, como é óbvio apenas os meus jogos.

1ª Jornada - AC Alfenense A (7) 4-0 AP Vila d' Este B (15)

Neste jogo pouco há para contar. Joguei com a jovem Mafalda Oliveira, que tem a particularidade de ter um dos elos mais baixos do país (915). A diferença era notória, e vencemos com naturalidade.

2ª Jornada - GD Dias Ferreira A (2) 4-0 AC Alfenense A (7)

Daniel Quintã 1-0 José Pintor
Fernando Nora 1-0 António A. Pintor
Henish Balu 1-0 Francisco Assunção
Nuno Andrade 1-0 António B. Pintor


Neste jogo acabei por ser vítima de um ataque severo ao meu roque numa siciliana dragão de roques em lados opostos. O meu ataque do lado da dama foi nulo, porque não encontrei tempo na minha defesa para isso.

3ª Jornada - AC Alfenense A (7) 1.5-2.5 Pontex A (8)

José Pintor 0-1 André Costa
António A. Pintor 1/2-1/2 André Martins
Francisco Assunção 1-0 Jean-Jacques Costa
António B. Pintor 0-1 Paulo Topa

Neste jogo, o meu adversário usou a defesa siciliana e eu respondi com a variante Alapin (2.c3). O jogo prosseguiu equilibrado, mas sempre com iniciativa das brancas. Até que chegámos à seguinte posição.

O meu adversário atrasou o roque e jogou ...f6? isto é um erro porque levou a Qh5+ Kf8 Ng6+ ganhando a torre. A alternativa g6 levava naturalmente a Nxg6. A partir daqui controlei e o meu adversário não demorou a desistir. Neste encontro extraiu-se um resultado pouco positivo, por alguma certa falta de inspiração dos meus companheiros. Contudo, num outro jogo, numa outra situação de maior atenção, teriam capacidade para vencer esta equipa do Pontex A por boa margem.

4ª Jornada - GD Dias Ferreira B (5) 1-3 AC Alfenense (7)

Pedro Mendes 1/2-1/2 José Pintor
Miguel Simões 1/2-1/2 António A. Pintor
Hugo Vilela 0-1 Francisco Assunção
Rui Silva 0-1 António B. Pintor

Neste jogo respondi à abertura d4 com a defesa Grunfeld (1.d4 Nf6 2.c4 g6 3.Nc3 d5). O jogo prosseguiu sempre com iniciativa por parte das pretas. Mesmo assim, as brancas foram conseguindo trocar peças até que chegámos a esta posição.

Aqui as pretas parecem em vantagem por terem dois peões passados. Mas aqui as brancas cometeram um erro ao jogarem Bf6-e7?. Aqui as pretas podem responder com c4 ameaçando o bispo e a torre. O meu adversário respondeu com Re3 e eu ganhei o bispo em e7. A partir daí a vitória foi fácil.

5ª Jornada - Moto Clube do Porto B (6) 1-3 AC Alfenense (7)

Aníbal Nogueira 1-0 José Pintor
Diana Nogueira 0-1 António A. Pintor
João Luís Martins 0-1 Francisco Assunção
Inês Messeder Ferreira 0-1 António B. Pintor
No meu jogo usei a defesa escandinava (1. e4 d5). O meu adversário, pouco acostumado a esta abertura, jogou 2.Nc3?! deixando-me jogar d4. Assim fui liderando em termos de desenvolvimento até que se chegou à seguinte posição.


Aqui aventurei-me com Nb4. Assim ofereci o peão de e5 em troca de múltiplas hipóteses de ataque. Na minha cabeça estava algo do género Nb4 Nxe5 Bd6 Bf4 Ra2 com hipóteses de ataque. Mesmo assim naquela altura teria mais tempo para pensar no melhor ponderando a ideia Qb8 por exemplo. O problema foi que o meu adversário jogou Nxe5, eu respondi com Bd6 e o meu adversário jogou Nf3?? levando a um mate interessante com Nxd3#.
A equipa parecia assim bem embalada e recuperada da derrota amarga perante o Pontex A.

6ª Jornada - AC Alfenense A (7) 1-3 Moto Clube do Porto A (1)

José Pintor 0-1 Nuno Sousa
António A. Pintor 0-1 Luís Araújo
Francisco Assunção 0-1 Emanuel Sousa
António B. Pintor 1-0 Nuno Messeder Ferreira
Chegámos surpreendentemente a jogar na primeira mesa com os líderes o que nos dificultou a tarefa. Este jogo foi emocionante e bem disputado da primeira à última peça jogada. O meu adversário usou a moderna defesa Petrov (1.e4 e5 2.Nf3 Nf6). Motivado pelo facto de sentir que não tinha nada a perder neste jogo, decidi arriscar e a verdadeira guerra começou nesta posição.
Aqui arrisquei e joguei Bxh6. Pareceu-me uma opção interessante uma vez que imaginava boas hipóteses de ataque que se vieram a confirmar. Seguiram-se os naturais gxh6 Qxh6. No entanto a luta estava ainda no início e era preciso consolidar o ataque.

Chegou-se à posição chave do encontro.
Ainda não consultei nenhum poderoso programa de xadrez mas penso que aqui fiz uns dos meus melhores lances desde que comecei a jogar xadrez na vida Rxe4!! Como se nota as pretas não podem tomar imediatamente a torre devido a Ng6#. Rxe4 é assim bom porque evita Re8 por parte das pretas o que poderia dar um bom contra-ataque, activando a torre na caça ao rei inimigo. Mas as pretas responderam com Nf8 e respondi com Qf7. Aqui parece que o meu adversário pode tomar a torre porque já não tenho Ng6#. Assim fez. E eu respondi com Bxe4?. Segundo a análise que fizemos Bc4! seria a continuação ideal e era o lance decisivo para vencer.
De acordo com a análise que fizemos no final, a única maneira das pretas aqui evitarem mate seria com Qxc4 o que levava a um final completamente desvantajoso para as pretas. Eu não joguei assim, o meu adversário foi me trocando as peças e desisti. Foi pena, pois por pouco que este não seria um jogo brilhante para mim.

7ª ronda - AC Alfenense A (7) 1-3 AX Gaia A (3)

José Pintor 0-1 Francisco Mateus
António A.Pintor 0-1 José Miguel Margarido
Francisco Assunção 1-0 André Mateus
António B. Pintor 0-1 Tiago Alves
Neste jogo defrontei um jogador que promete ter um bom futuro nesta modalidade. Prova disso são as excelentes prestações que tem vindo a ter ao longo dos últimos anos e os títulos que já venceu de forma categórica nos escalões jovens. Já havia defrontado este adversário na fase distrital do desporto escolar do ano passado, e na altura havia sido "passado a ferro" completamente. Hoje, com uma maior experiência, decidi jogar o gambito de dama contra este adversário (1.d4 d5 2.c4). Na etapa inicial o meu adversário exerceu uma boa pressão sobre o meu peão d no centro o que me obrigou a fragilizar um pouco a minha estrutura de peões com 2 peões dobrados em f mas com um flanco g aberto. Tive oportunidade de atacar por essa coluna forçando o rei adversário e ficar f8 bloqueando a entrada em jogo na torre em h8. Durante boa parte do jogo, o meu adversário teve um peão a mais, mas eu consegui colocar forte pressão no centro, com peças melhor posicionadas e com as torres dobradas no flanco d. Até que com um jogo equilibradíssimo, e com os outros jogos da mesa já terminados, muita gente que estava a assistir viu o momento do jogo.
As pretas já com cerca de apenas 3 minutos jogaram Bxf2. Este peão foi "oferecido" com o anterior Qd3 porque já vislumbrava o lance que iria fazer de seguida. Para Bxf2 respondi com Bxg6! As pretas, de forma pouco cautelosa, a meu ver, aceitaram o sacrifício com fxg6? e seguiu-se Qxg6+ Kf8 Rf6+ e as pretas não têm melhor do que darem a dama com Qxf6. Seguiu-se Qxf6+ Kg8? Rd8+ ganhando a torre dado que Rxd8 leva a Qxd8+ apanhando a torre em c7. O meu adversário desistiu após Rd8+ já com menos 10 minutos que eu no relógio.

Acabou assim por ser um dos meus melhores jogos de sempre na minha ainda curta carreira enxadrezística. O meu saldo individual neste distrital foi bastante positivo, uma vez que tive 5 vitórias e apenas 2 derrotas, e com adversários mais cotados e experientes. Quanto à equipa a classificação aqui se segue.

A equipa no AC Alfenense A posicionou-se no 7º lugar da geral. A nível colectivo, penso que a nossa classificação ficou um pouco abaixo daquilo que foi evidenciado nos tabuleiros. O facto de nós ficarmos a apenas meio ponto de distância de equipas com o Pontex B ou o AC Alfenense B, foi motivado por algum certo azar que tivemos nos emparceiramentos. Como podem ver, de entre os 8 cabeças de série, apenas não jogamos com o 4º que era o equipa do Profigaia A enquanto que outras equipas, adquiriram pontuações semelhantes, mas jogando com equipas da segunda metade da tabela. Isto levanta alguns problemas acerca da veracidade deste emparceiramento e o uso deste sistema nas provas  semi-rápidas colectivas. Aqui impõe-se a questão se seria ou não vantajoso agrupar as equipas em grupos e apurar apenas algumas para uma fase final, tal como acontece na prova clássica distrital. As equipas não apuradas, disputariam uma outra "poule" para atribuição dos restantes lugares. Penso que assim a verdade desportiva prevalecia. Fica aqui a minha opinião para quem a quiser ouvir.

Já agora, quanto à classificação da etapa individual, o vencedor foi José Miguel Margarido, invicto, com um score perfeito de 8/8, logo seguido de André Mateus e André Ventura de Sousa, todos eles adversários que defrontei, tendo vencido dois deles (!). Quanto a mim tive de me contentar com um razoável 18º lugar e um 3º lugar no escalão sub-18.

A competição regressa na próxima sexta-feira com o Distrital Individual Absoluto e a sua 1ª jornada. No dia seguinte disputar-se-à Distrital de Rápidas, colectivo e individual em Vila das Aves.